Com público formado por acadêmicos, profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), especialistas e autoridades, o Ministério Público do Amapá (MP-AP) e o Ambulatório de Atenção à Crise Suicida (Ambacs/Unifap) deram início ao IX Simpósio sobre Prevenção ao Suicídio da Microrrede de Atenção à Crise Suicida, nesta quinta-feira (10), no anfiteatro da Universidade Federal do Amapá (Unifap). O tema central deste ano é “Qualidade de Vida, Saúde Mental e Comportamento Suicida das Populações Vulneráveis”, um estímulo à conscientização e ao fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O evento, realizado anualmente, integra a programação do Setembro Amarelo, mês em que são intensificadas em todo o Brasil as ações de conscientização e prevenção ao suicídio. Está vinculado ao eixo Capacitação do projeto Atuação Pela Vida, executado desde 2019 pelo MP-AP, por meio do Centro de Apoio Operacional da Saúde (CAO-Saúde), da 1ª e 2ª Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde e do AMBACS/Unifap. O simpósio conta ainda com a parceria da Dalmass – Especialista em Pós-Graduação Lato Sensu.
Compuseram a mesa de abertura o procurador-geral de justiça, Alexandre Monteiro; os promotores de Defesa da Saúde, Wueber Penafort e Fábia Nilci; a desembargadora Alaíde de Paula; Antony Lucas Moreira, representando o Plantão Psicológico dos projetos de extensão da Unifap; e Adriana Ribeiro, do Conselho Regional de Psicologia.
“A temática é relevante e silenciosa e precisa ser debatida por profissionais e acadêmicos, que têm que estar preparados para enfrentar este mal que assola nossa sociedade e coloca o Amapá na desconfortável liderança de estado onde mais se comete suicídio na faixa etária entre 14 e 19 anos. O MP-AP atua na prevenção com ações de conscientização e também com medidas administrativas para o funcionamento das unidades de atendimento em saúde mental”, destacou Alexandre Monteiro.
Nesta edição, o simpósio incentiva o debate técnico-científico e promove o aperfeiçoamento de profissionais da RAPS e acadêmicos para o fortalecimento da rede e das instituições que atuam na promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio. Na programação destes dois dias estão previstos debates sobre a relação entre qualidade de vida, saúde mental e os fatores de vulnerabilidade que afetam diferentes grupos populacionais.
A professora de Jornalismo, doutora em Sociologia e coordenadora do projeto de extensão “Não Pira. Respira”, da Unifap, Roberta Scheibe, palestrou sobre o cuidado de si e a comunicação não violenta no processo de bem-estar. Em seguida, duas mesas redondas com especialistas debateram qualidade de vida, saúde mental e comportamento suicida da população negra, povos originários, praticantes de jogos online, comunidade surda e população LGBTQIA+.
Para os promotores, a parceria com o Ambacs é primordial na busca pela redução dos índices, no cuidado com a saúde mental e no apoio às vítimas de tentativas e aos familiares. “A doença mental ainda é mal compreendida, por isso temos que nos capacitar para ajudar e não desistirmos”, afirmou a promotora Fábia Nilci.
Wueber Penafort, promotor que coordena o CAO-Saúde, afirma: “o comprometimento de acadêmicos, a modificação na legislação trabalhista trazendo os empregadores para o planejamento da saúde mental, a compreensão da sociedade e o tratamento adequado têm o potencial de mudar o cenário atual.”.

