Em tom irônico, o presidente Jair Bolsonaro (PL) “parabenizou”, nesta quinta-feira (10/2), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas “obras finalizadas”, durante a gestão petista, no exterior.
Como exemplo, o atual chefe do Executivo federal citou obras financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como o Porto de Mariel, em Cuba, linhas de metrô em Caracas, na Venezuela, e outras três hidrelétricas em países latino-americanos.
“Deixa eu aproveitar e elogiar o presidente Lula. Parabéns, Lula. Obras no exterior, com dinheiro do povo brasileiro, nenhuma deixou de ser concluída”, declarou Bolsonaro durante sua transmissão semanal ao vivo nas redes sociais.
“Obras lá fora, todas concluídas e de primeira, hein? Todas bem feitas”, prosseguiu.
Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro tem reforçado que recursos do BNDES foram mal administrados durante a gestão Lula. Durante a live da semana anterior, ele, no entanto, voltou a admitir que não houve caixa-preta no banco e que foi “tudo legal”.
“Tudo foi legal. Não houve caixa-preta. Caixa- preta era aquele período, onde não podia se divulgar nada, inclusive os contratos com outros países por decisão judicial”, afirmou Bolsonaro, ao lado do presidente da estatal, Gustavo Montezano.
O presidente fala sobre a “caixa-preta do BNDES” desde a campanha eleitoral de 2018, quando dizia que iria abrir o que chamou de “caixa-preta do BNDES”. De acordo com Bolsonaro, a caixa-preta revelaria os supostos esquemas durante as gestões dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
O presidente dizia que o dinheiro público era desviado para países e organizações ligadas ao Foro de São Paulo. O grupo, criado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 1990, é integrado por organizações e partidos de esquerda na América Latina e no Caribe.
No primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro, o BNDES desembolsou R$ 48 milhões em uma auditoria nos contratos de empréstimos do banco a empresas e governos estrangeiros. A inspeção, no entanto, não encontrou indícios de irregularidades.
Ao fim da investigação, que durou quase dois anos, o BNDES elaborou um relatório de oito páginas, no qual diz que não foram encontradas evidências diretas de corrupção em oito operações realizadas entre 2005 e 2018, com empresas como a JBS, Bertin e Eldorado Brasil Celulose.
No ano passado, o presidente já tinha admitido estar convencido de que não existia caixa-preta no BNDES.

