A quatro dias do fim do prazo judicial, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito que apura suposta intervenção política na corporação.
A oitiva foi realizada na noite desta quarta-feira (3), em Brasília. A informação foi revelada pela colunista Thaís Arbex, da CNN Brasil.
O depoimento ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O prazo era de 30 dias e terminava em 7 de novembro.
A forma do depoimento travou a oitiva. Bolsonaro tentou depor por escrito, mas depois voltou atrás. Esse é um dos últimos andamentos do inquérito.
A investigação começou após o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro apontar que o presidente o pressionava para substituir o diretor-geral da corporação, à época Maurício Valeixo, além da coordenação da Polícia Federal no Rio de Janeiro — reduto eleitoral de Bolsonaro.
Segundo Moro, o presidente queria um aliado e exigia acesso a relatórios sigilosos da corporação. O caso foi motivo de crise e ocasionou o pedido de demissão de Moro em abril de 2020.
Agora, a Polícia Federal deverá remeter o inquérito ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a quem cabe decidir sobre eventual denúncia do presidente.
Inquérito prorrogado
No mês passado, Alexandre de Moraes prorrogou por mais 90 dias o inquérito que apura suposta tentativa do presidente de interferir na Polícia Federal.
O inquérito foi aberto no ano passado pelo STF, que atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e o presidente Bolsonaro não comentaram o caso até a mais recente atualização desta reportagem.
Provas
Moro usa como provas de sua denúncia mensagens trocadas com o presidente em um aplicativo e a reunião ministerial de 22 de abril de 2020.
“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro e oficialmente não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar foder minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar. Se não puder trocar, troca o chefe dele. Se não puder trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, vaticinou.

