Os quatro jovens que alugaram o barco pilotado por Adolfo Duarte, o Ferrugem, que desapareceu na última segunda-feira (1), prestaram depoimento nesta quinta-feira (4) e ajudaram a polícia a indicar o local exato que ele supostamente caiu na represa Billings. Nenhum deles quis conversar com a TV Globo.
A polícia segue investigando homicídio culposo (sem intenção de matar, mas reforçam que tudo depende da localização da vítima. Até terça-feira (2), o caso era tratado como desaparecimento
Em entrevista, o advogado André Nino, que representa os quatro jovens, diz que eles afirmam que foi um acidente. Ferrugem e uma das jovens caíram na água na noite de segunda-feira, e ela conseguiu ser resgatada, segundo a versão do grupo.
“Eles vão colaborar. Parece que os bombeiros estão procurando no lugar errado. Foi uma fatalidade. O rapaz acabou caindo tanto que moça que estava com eles caiu junto. Eles procuraram (o Ferrugem), mas estava escuro e não acharam. Aí eles entraram em desespero”, disse Nino.
Também nesta quinta, um pescador encontrou o par de tênis que era do coordenador da ONG.
O caso
De acordo com o boletim de ocorrência, Ferrugem desapareceu por volta das 19h30 de segunda-feira, após sair da região conhecida como Cantinho do Céu com dois casais de jovens, que pagariam R$ 50 por um passeio pela região.
Formado em história, ele trabalha fazendo passeios pela represa e coordena uma ONG de defesa do meio ambiente.
Em entrevista à TV Globo, a delegada responsável pelo caso, Jakelline Barros, disse que os jovens relataram em depoimento que os passageiros da parte de trás do barco caíram na represa quando houve um tranco.
“Os que estavam atrás acabaram por cair na água da represa. Ela [a jovem que caiu na água] diz que ele [Ferrugem] a ajudou a levantar, deu indicações de que deveria continuar a bater as pernas, mas ela afirma que, quando se apoiou na boia e olhou de lado, já não mais o viu”, contou a delegada.
Em depoimento à polícia, o grupo que o contratou afirmou que Ferrugem e uma das jovens caíram na represa após um tranco no barco, e que os outros três passageiros jogaram um colete salva-vidas. A jovem foi resgatada, mas o ativista desapareceu na água.
Os rapazes conduziram o barco de volta até as margens da represa. No local, ao contarem a história a alguns moradores da região, o grupo foi agredido, de acordo com o boletim de ocorrência.
A responsável pela investigação afirmou que os quatro jovens relataram a mesma história, sem contradições, e que três telefones celulares foram apreendidos. A perícia já está sendo feita nos aparelhos.
Os investigadores afirmaram que será necessário saber agora quem estava no comando do barco na hora do acidente, e que somente após o encontro de Ferrugem será possível avaliar outra linha de investigação. O que se sabe também é que não foram os quatro passageiros que chamaram a polícia.
Familiares acompanham buscas
Ferrugem é uma liderança ambiental da região do Grajaú. Ele participa de projetos como o “Meninos da Billings” e “Remada na quebrada”, e também ensina turistas e moradores a preservar o meio ambiente, com mutirões de limpeza e oficinas de fabricação de lixeiras nas margens da represa. Familiares e amigos angustiados acompanharam as buscas pelo ativista nesta quarta-feira (3).
“O que a polícia tem que fazer é trazer essas pessoas que eles liberaram até aqui e fazer com que mostrem o local onde foi o ocorrido, onde aconteceu o ato, porque essa história de falar que o barco balançou e ele caiu, meu filho tinha experiência… Ele tem 10 anos nessa represa”, disse Cícero Marques da Silva, pai do Ferrugem.
A esposa de Ferrugem, Uiara Duarte, contou à TV Globo que o último contato do marido foi às 19h41 por mensagem de WhatsApp. Após isso, ele não respondeu mais a mensagens enviadas por ela.
“Não é caraterístico ele sair à noite. Mas conhecendo ele, como estava com o barco e como se interessaram, é dele falar ‘vamos lá, vamos”, afirmou.

