Essa semana irei fazer as minhas considerações sobre a viagem realizada com embaixadores até a Amazônia oriental.
A visita dos chefes de missões diplomáticas a Amazônia Oriental é parte dos esforços do Conselho Nacional da Amazônia Legal para apresentar a realidade da região ao público nacional e estrangeiro.
Em nossas visitas e reuniões, procuramos abordar com total transparência alguns dos principais desafios dessa região, que é a mais povoada da Amazônia Brasileira. Para preservar, proteger e desenvolver a Amazônia é preciso, antes de tudo, conhecer a região, por isso o conselho convidou embaixadores de países amigos, para ver de perto essa desafiadora realidade.
É a segunda etapa de uma iniciativa que teve início em novembro de 2020, quando acompanhei outro grupo de embaixadores a Amazônia Ocidental, onde conhecemos os esforços de todos os níveis de governo, em Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Maturacá, lá no estado do Amazonas.
As visitas ao Ocidente e ao Oriente da Amazônia, nos revelam uma região imensa e complexa. Na Amazônia Ocidental sobrevoamos extensas áreas de mata intocada e testemunhamos, por exemplo, o empenho do estado brasileiro para oferecer atendimento à saúde indígena em um dos rincões mais isolados do país, na região conhecida como cabeça do cachorro, no extremo noroeste do Brasil.
No Pará, estado que é o mais populoso da região norte, encontramos uma situação bastante diversa. Os chefes de missão diplomática tiveram oportunidade de conhecer grandes projetos de mineração e geração de eletricidade limpa, investimentos privados na expansão da bioeconomia, além de alguns dos mais avançados centros de pesquisas dedicados a realidade Amazônica.
Nossos convidados estrangeiros conversaram com cientistas, empreendedores, produtores rurais, gestores públicos e privados que se dedicam, diariamente, a conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação da biodiversidade e a inclusão social.
Visitamos as operações da Vale em Carajás e a usina hidrelétrica de Belo Monte em Altamira, dois empreendimentos de grande porte que adotam tecnologias de ponta para minimizar os impactos ambientais e sociais de suas operações. Em ambos os casos as empresas procuram contribuir para a preservação da mata nativa e a qualidade de vida das comunidades de seu entorno.
Ao sobrevoarmos as regiões do Carajá e a volta grande do Xingu, avistamos um verdadeiro mosaico de florestas protegidas, comunidades indígenas e ribeirinhas, além de terras cultivadas, pastagens e áreas que já foram atingidas pelo desmatamento.
Quero ressaltar que, em todo esse trajeto, em nenhum momento, nós encontramos área de queimada. Voamos em uma área extensa do Pará e não vislumbramos nenhuma dessas atividades. Vimos como a Floresta Nacional do Carajá se destaca como uma exitosa parceria público/privada para a preservação da biodiversidade.
Ao chegarmos em Belém fomos recebidos pelo governador Elder Barbalho e sua esposa Daniela, que ofereceram aos chefes de missão diplomática uma mostra da gastronomia, da cultura e da hospitalidade paraense.
Em Medicilândia visitamos uma fábrica recém construída para o beneficiamento de amêndoas de cacau. Um investimento pioneiro que agrega valor aos produtos da floresta e contribui para as prioridades do conselho no sentido de fomentar as cadeias de bioeconomia na região.
No último dia da visita a comitiva conheceu dois dos maiores patrimônios científicos de nosso país, o Ministro da Saúde, Dr. Marcelo Queiroga, nos mostrou alguns dos laboratórios do Instituto Evandro Chagas em Ananindeua um centro pioneiro de referência internacional em desenvolvimento científico para a defesa da vida na Amazônia.
O Instituto Evandro Chagas, há 85 anos, investe em ciência, tecnologia e inovação, para proteger a saúde humana contra as doenças e agentes infecciosos que abitam as florestas quentes e úmidas da região.
Finalmente, não haveria local mais propicio para encerrar essa visita, do que o museu Emílio Goeldi, o principal centro de pesquisa sobre a natureza e as sociedades da Amazônia com mais de 150 anos de história. O parque zoobotânico e o acervo do museu são referências obrigatórias para todos que se propõe conhecer a Amazônia.
A agenda foi elaborada com o objetivo de expor a profunda interdependência e transações de proteção, preservação e desenvolvimento na região Amazônica. Em áreas de ocupação humana consolidada como no Pará a geração de emprego e renda é essencial para conter a exploração predatória e as atividades ilegais na floresta.
As iniciativas que tivemos a oportunidade de visitar alinham-se as prioridades do Conselho Nacional da Amazônia Legal. O combate ao desmatamento ilegal e outros ilícitos ambientais e fundiários, o ordenamento da ocupação territorial, o estimulo a inovação e a bioeconomia e o acesso a fontes de financiamento nacional e internacional, sejam públicas ou privadas.
Meu muito obrigada a todos e até semana que vem.

