O médico-cirurgião Antônio Luiz Macedo foi essencial para a decisão de não submeter o presidente Jair Bolsonaro (PL) a uma nova cirurgia. Internado desde a segunda-feira, 3, com uma obstrução intestinal, o chefe do Executivo disse, em suas redes sociais, a possibilidade de um procedimento cirúrgico para o seu caso.
O Dr. Macedo em questão é conhecido do presidente ,e também da mídia, desde 2018, ano em que Jair Bolsonaro levou uma facada durante campanha eleitoral. Macedo foi o responsável pela cirurgia que salvou a vida do então candidato ao Palácio do Planalto.
Por estar ciente do histórico médico de Bolsonaro, Macedo foi solicitado com urgência quando Bolsonaro deu entrada no hospital Vila Nova Star, em São Paulo. O médico, porém, estava aproveitando as férias nas Bahamas, no Caribe, e precisou deixar o descanso e voltar às pressas para o Brasil.
Macedo desembarcou nesta terça-feira, 4, no Aeroporto de Guarulhos, na capital paulista, por volta das 5h30 e se dirigiu diretamente ao hospital. Em entrevista anterior ao Estadão/Broadcast Político, o médico informou que os próximos passos do tratamento só serão tomados após ter acesso a resultados detalhados do presidente.
“A decisão se (Bolsonaro) vai ser operado ou não depende de um exame clínico criterioso por parte do cirurgião. Não é uma tomografia que vai dizer se vai ser operado, hemograma, PCR, nada disso”, afirmou.
Ainda na manhã de terça, Macedo descartou a possibilidade de cirurgia no boletim médico assinado por ele e sua equipe.
Sobre o médico
Nascido em 1950 em São Paulo, Antônio Luiz Macedo é um dos principais cirurgiões gastrointestinais do País. Ele é mestre em Cirurgia Geral e Gastrocirurgia pela Universidade de São Paulo (FMUSP) e atualmente atua pela Rede D`Or São Luiz, em São Paulo, da qual o hospital Vila Nova Star faz parte.
A história de Macedo é de superação. Aos 13 anos, ele sofreu um acidente ao cair de um cavalo com o rosto no chão. O ferimento causou uma paralisia facial que poderia ter colocado seu sonho de tornar um cirurgião em risco. Macedo revelou que o médico que o atendeu desacreditou que ele poderia atuar nessa área devido às consequências desse acidente.
Macedo, porém, insistiu no sonho e, por ironia do destino, acabou tendo o mesmo homem que o desacreditou como paciente, anos depois, com um quadro de inflamação na vesícula.
“Tirei a vesícula dele. No dia seguinte, ele me olhou e perguntou: ‘O que aconteceu no seu rosto, menino?’. Eu relembrei a história a ele. Ele chorou igual a uma criança”, lembrou. “Para mim, o não inexiste. Vou até o fim, sempre. Desisto só se me matarem’, acrescentou Macedo.

